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Aconteceu no dia 11 de março a palestra de Pedro Conti, evento exclusivo do V-Ray Masters e Chaos Group, no auditório da Faculdade Melies, em São Paulo.

Durante pouco mais de 2 horas, Pedro contou sua experiência trabalhando no filme Moana, o mais novo clássico da Walt Disney Animation Studios, tanto os aspectos técnicos quanto profissionais, falando das diferenças entre trabalhar no Brasil e nos Estados Unidos.

Pedro comentou que todo o processo que o levou a trabalhar na Disney começou com uma conversa com uma de suas recrutadoras no evento THU, em Portugal. Aconselhado por um amigo que trabalha na Pixar, Pedro apresentou seu trabalho à profissional da Disney sem grandes esperanças. “Já tinha sido contatado pela Pixar antes, e apesar de eles terem gostado do meu trabalho, acabou não dando em nada. Não estava muito a fim de passar por todo esse processo de expectativa novamente”, disse ele.

Entretanto, desta vez as coisas foram diferentes e Pedro acabou sendo contratado para trabalhar em Moana. “Fui contratado por 9 meses, sendo que os 3 meses iniciais eram de treinamento: a gente foi treinado nas ferramentas  proprietárias da Disney e, se eles achassem que você não estava pronto para participar do longa, era o fim da linha”, ele conta. “Fiz uma cena de Zootopia como teste, o que por si só já era incrível.”

Pedro comentou durante a palestra que os profissionais acabam sendo muito mais competitivos no ambiente de trabalho: enquanto aqui existe um clima mais colaborativo para resolver os problemas, lá eles acabam ficando “cada um no seu quadrado” por serem empresas muito grandes. Em parte, diz, isso se deve à alta rotatividade do mercado norte-americano.

Lá o esquema é por obra. Então, você trabalha intensamente durante 6 ou 8 meses na Disney, por exemplo, e depois está na Dreamworks fazendo outra coisa por mais 6 meses, e assim vai.

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Pedro também mostrou os shots onde trabalhou e explicou em detalhes a construção de elementos importantes para a trama, como a estátua do semi-deus Maui, os barcos do povo da protagonista entre outros, além de responder às perguntas dos presentes durante toda a palestra.

Na parte técnica, Pedro comentou sobre as diferenças que encontrou por lá: “Cenas de 30 milhões de polígonos não eram nada para eles. Pareciam não se preocupar com o peso da cena, contanto que ficasse do jeito que queriam. A cena dos barcos Kakamora (os cocos piratas) tinha tanta coisa, tanta coisa, que tivemos que dividir em 3 partes para poder trabalhar”.

Os softwares também chamaram sua atenção: além de um renderizador proprietário (Hyperion), mesmo o Maya não é aquele com que estamos acostumados. Pedro conta que existe um time de desenvolvimento muito forte na Disney, chegando ao cúmulo de “consertar” bugs do Maya durante a produção, o que torna o software extremamente estável.

O Maya deles é diferente do nosso. Pra começar, eles rodam em Linux e tudo é por linha de comando. Até o suporte técnico a gente chamava digitando “problem” no terminal. Assim, o sistema todo era muito estável. Acho que se tive problemas com o Maya dando pau 1 ou 2 vezes foi muito.

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Pra finalizar, Pedro comentou que decidiu ficar no Brasil e trabalhar como freelancer. “Não acho que trabalhar em uma empresa grande seja o que eu quero no momento. Quero fazer o meu trabalho, ser contratado por aqueles que querem aquilo que eu sei fazer. É instável, claro, mas é meu objetivo nesse momento.”

Se você perdeu essa, não se preocupe: Pedro será um dos próximos convidados do V-Ray Master Talk, e você poderá ouvir tudo isso e muito mais em breve.

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Escrito por Rick Eloy

Arquiteto, marketeiro, profissional 3D e professor.

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