chamada matérias

Com um trabalho impressionante e clientes dentro e fora do Brasil, Ramon Zancanaro ganhou destaque em sites especializados com suas imagens de arquitetura que primam pelo bom gosto e pelo realismo. Com isso, tornou-se referência para profissionais do mundo todo.

Convidado para o episódio 2 do V-Ray Master Talk, Ramon nos conta em detalhes sobre seu trabalho e carreira na entrevista que você confere abaixo.

Nome completo: Ramon Francisco Zancanaro

Apelido: Zancanaro

Data de nascimento: 21/08/82

Local de nascimento: Videira / SC

Website: http://www.zancanaro.com

1) Conte-nos um pouco sobre sua trajetória: como você iniciou seu trabalho com CG? (quando começou, como começou, etc)

Iniciei no ramo de CG de uma forma um tanto inusitada. Por volta de 2000 eu trabalhava no departamento de engenharia de uma empresa de suco de maçã, no oeste catarinense. Estava, no momento, trabalhando no projeto de transferência da planta desta empresa para outra cidade. Eu era responsável pelos desenhos que envolviam esta transferência (layouts, diagramas, projetos específicos). Naquele tempo os softwares 2D CAD reinavam soberanos no segmento de engenharia, mas já engatinhava para apresentações 3D. Enfim, resolvi me inteirar das poucas ferramentas 3D que eu tinha a mão e o resultado foi bem interessante, algo inovador para época. Tive um apoio fundamental do meu chefe na época, o Eng. Jorge Silva (grande abraço Jorge!) que de certa forma abraçou a ideia de usarmos ferramentas 3D nas apresentações dos layouts e também como facilitador para o entendimento dos projetos. Me sentia muito envolvido nestas apresentações, para mim era mais do que simplesmente engenharia, era algo com conotação estética avançada e logo me vi fazendo somente isso.

Percebi que 3D + apresentações visuais seriam os elementos que fariam parte do meu futuro. Eu ainda era jovem e minha cabeça sempre foi um caldeirão de ideias, mas eu não tinha capacidade do coordenar essas ideias de forma coerente para atingir resultados. Assim que conclui meu trabalho nesta empresa, fiquei livre para avançar no campo visual foi quando montei a minha primeira empresa chamada R&F (abraço ao Fabio Dias, meu antigo sócio) migrando gradativamente de engenharia para design. A R&F fazia de tudo que fosse relacionado a artes visuais, desde catálogos, logomarcas, plotagens, projetos 3D de ambientes e também de engenharia. Foi uma grande escola (auto didática) principalmente sobre como funcionava o mercado, negociações etc. Através dela, fiz alguns trabalhos em Manaus, Rio e por aí a fora.

A empresa não estava indo muito bem por vários fatores, foi quando a R&F terminou. Resolvi me juntar a alguns colegas (Willian, Welington e Anderson, um grande abraço!) que estavam numa situação semelhante, sem empregos e sem saber o que fazer, porém com uma boa bagagem técnica do setor moveleiro. Decidimos então que iriamos abrir uma nova empresa, a SunSet Design por volta de 2004 já em São Bento do Sul. Optamos por esta cidade por se tratar de um polo moveleiro muito forte, porém a vida preparava uma daquelas peças que tiram a estabilidade da gente. A cidade que era tão prospera estava prestes a mergulhar em uma crise brutal devido à baixa do dólar e a entrada da China no mercado moveleiro. Para piorar o escritório também foi roubado e todo o pouco equipamento que tínhamos juntamente com todos os arquivos de serviços prestados foi levado, foi o início “perfeito”. Acredito que esse foi o tempo mais pesado para mim, mas não desistimos e conseguimos alugar alguns computadores para trabalhar. Foi então que tive o primeiro contato com o V-Ray e comecei a adotar o 3ds max como meu software principal. Devido à falta de trabalho, tive muito tempo para estudar e fiz isso com muito afinco. Por volta de 2005 tive meus primeiros destaques no ramo e percebi que era isso que eu queria!!! Mas o mercado ainda moveleiro ainda não absorvia essa coisa de CG e isso só viria a acontecer por volta de 2007.

Após uns 3 anos bem críticos, a SunSet fechou e enfim eu e Willian abrimos a FrameOne, já com mentalidade mais madura e um único foco: CGI para a indústria moveleira. Assim que firmamos a empresa abrimos novos mercados em ramos ligeiramente similares ao moveleiro (revestimentos, padronagens e chapas e um pouco de arquitetura). E é aqui que estamos agora.

2) Possui um background acadêmico? Qual?

Como mencionei, trabalhei com engenharia e cursei mecânica, mas não cheguei a me formar. Acho que eu não sou muito bom com esse negócio de normas, números, etc., hehe…

3) Onde você trabalha atualmente? (produtora, freelance)

Hoje sou sócio da FrameOne. Apesar de ser uma empresa com porte razoável, ainda trabalho diretamente com 3D

Gspot-corpo

4) Quais ferramentas você usa em sua produção no dia a dia? Por que?

Trabalho basicamente com um pack de softwares que atendem a minha necessidade criativa:
3ds max – devido a facilidade de manuseio e também de encontrar materiais

V-Ray – Por ser o software que mais propõe equilíbrio entre rapidez e controle.

Photoshop – Por ser Photoshop =]

Marvelous Design – Por ser o melhor em reação de tecidos.

ZBrush – Apenas para alguns pequenos processos

5) Seu trabalho hoje consiste mais em quê? (animação, personagens, arch viz, publicidade…)

Basicamente trabalhamos em ambientes para apresentações comerciais de produtos em gral. Essa foi a melhor definição que encontrei. Em miúdos, fazemos ambientes para móveis, pisos frios, pisos laminados, chapas e padrões de mdf e também empreendimentos imobiliários.

Second-2

6) Quais são os maiores desafios que você encontra no seu dia a dia profissional? Por que?

Poderia dizer que são concorrentes, preços desleais, a crise nos setores que eu atuo… mas não vou falar disso. Acredito que a auto superação é um dos maiores desafios. Ao ponto que chegamos agora a evolução é mais lenta e eu sinto sede de tentar fazer algo novo (lembra do caldeirão de ideias!?). O fator determinante aqui é o tempo que está disponível para desenvolver as coisas. Cada dia mais o tempo hábil é reduzido e o que sobra são horas de sono. Para mim, este é o maior desafio!

7) Como é o seu workflow? (como um trabalho é iniciado até o resultado final, resumidamente)

Em uma conversa com um colega meu que também trabalha na área, ele lançou o seguinte comentário: “estou me preparando para achar outra coisa para fazer daqui a uns 10 anos”. O motivo do comentário é obvio: ele previa essa ascensão do serviço de CGI que se deu devido a facilidade de atingir o ponto “foto-realista” que os softwares proporcionam, evolução do hardware e popularização natural da profissão. Eu tomei nota do comentário e comecei a pensar numa forma de manter-se no ramo mesmo durante esse período (que para mim já chegou) e a forma que eu encontrei está diretamente ligada ao workflow.

Já tem um tempo que não nos apresentamos mais como um estúdio de Renderização, estúdio de Arch Viz ou coisa do gênero. Nós lutamos para sermos conhecidos como formadores de opinião, lançador de tendências e, de certa forma, autoridade no que se refere a ambientes internos para produto. Largamos a venda de CGI e passamos a vender uma solução mais completa para empresas. Por exemplo: Empresa X de móveis quer lançar um catálogo. Com base no valor disponível para investir em imagens e na cartela de produtos da empresa, elaboramos uma estratégia que engloba quantidade de imagens necessárias, detalhes que devem ser valorizados, combinações de produtos, posicionamento (ou reposicionamento) da empresa perante consumidor e clientes, estilos, decoração, arquitetura…enfim, tudo que se refere a imagens desde os aspectos mais subjetivos até a geração da imagem propriamente dita, a CGI tem uma função de ferramenta e não de produto neste caso.

Meus comentários se convergem aqui, pois acho que as funções puramente técnicas tendem a ser descartadas rapidamente (como meu colega previa) porém, estratégia e design são matérias “humanas” e são menos perecíveis.

Então, respondendo à pergunta, nosso workflow inicia com o briefing inicial com o cliente. Depois de entender a necessidade, traçamos um plano e iniciamos a produção. A produção por sua vez inicia com um brainstorm entre os que estarão envolvidos no processo, juntamos amostras de materiais, paletas de cores, referências visuais de tudo quanto for possível e começamos a desenhar os ambientes, a mão mesmo. Depois de desenhados, marcamos a primeira apresentação com o cliente para demonstrar a concepção das imagens e alinharmos os pensamentos. Só então passamos para o computador e daí em diante o processo é o simples: modelagem, texturas, iluminação, pós, aprovação e entrega.

8) Qual trabalho seu te dá mais orgulho? Por que?

Pergunta difícil! Eu gosto de vários, normalmente tenho um certo amor por quase todos, como filhos. Mas gosto bastante do trabalho Second Floor, Block One que inclusive foi publicado no livro Prime. Eu não sei dizer bem o por que eu gosto tanto, mas talvez seja por que usa e abusa de tecidos e sempre foi um desafio na CGI. Também por ser uma evolução (The Second Floor) de um trabalho mais antigo chamado White and Wood que eu já gostava bastante na época. Mas também tem alguns cases de clientes como Todeschini, Schattdecor que são grandes peças do meu histórico!

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9) Se pudesse fazer algo diferente em sua carreira, o que seria? Por que?

Astrofísica ou filosofia. Não é piada não, hehe…. Eu realmente acho que essas duas áreas me ajudariam a abrir a mente e me fariam pensar “fora da caixa”. Sei que não há uma relação direta com minha profissão mas entendo que o desenvolvimento como pessoa é benéfico de inúmeras formas. A compreensão do universo nos faz entender um pouco mais sobre quem somos, limitações e capacidades além de nos elevar a um estágio mais avançado onde as coisas (inclusive de trabalho) fluem com mais facilidade Uma frase pertinente é de um Físico, Albert Einstein disse: “A mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original”. A frase não requer explicações e resume o que eu penso.

10) Por fim, que conselho você daria para quem está começando na área?

Voltem para casa, meninos… heheh… Brincadeira, pessoal!

As coisas nesta área não são tão fáceis como parece, acreditem. Somos facilmente atraídos pela aparente facilidade de ganhar algum dinheiro em casa, sentado na frente de um PC fazendo coisas legais…parece perfeito…  Não! Nada disso, meu querido. Saber fazer uma imagem realista não garante sucesso como autônomo, de forma alguma quer dizer que as empresas vão pagar bem pelo seu trabalho ou que vão te dar valor.

Acho que conhecer os softwares e saber usa-los é algo em torno de 25% do sucesso. Temos ainda 25% de estrutura (render farm, pessoas, caixa, vendas), 25% de outras capacidades relacionadas a feeling e 25% das condições do mercado. Então minha dica é que pensem nisso tudo antes de começar a trabalhar por conta própria. Se você só tem o conhecimento técnico, procure um trabalho na área em alguma empresa do ramo e ganhe experiência.

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Escrito por Rick Eloy

Arquiteto, marketeiro, profissional 3D e professor.

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