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COMO O ESTÚDIO DE EFEITOS FIDO DEU VIDA AO LOUCO MUNDO DE KUNG FURY

Por Henry Winchester (publicado originalmente na V-Ray Magazine)

“Kung Fury” não era mesmo pra ser uma produção exatamente “normal”. O filme de 30 minutos é uma carta de amor aos exagerados e cafonas filmes de ficção e kung-fu dos anos 80, completo com robôs-fliperama, policiais dinossauros, visão laser, viagem no tempo e Adolf Hitler. Quase toda cena inclui uma piadinha ou explosão, e é o tipo de filme que você tem que assistir em partes de 5 minutos para ter tempo de digerir a imensa quantidade de loucuras acontecendo na tela.

O diretor, escritor e estrela David Sandberg lançou o filme com um trailer, convidando os fãs para investirem via Kickstarter. O trailer imediatamente causou um forte impacto na sua audiência que cresceu vendo filmes B e jogos de luta, ajudando a campanha a arrecadar incríveis US$630.000,00. A empresa de efeitos especiais Fido, de Estocolmo, pulou a bordo pouco depois para criar os incontáveis efeitos do filme, mas logo perceberam que a forma de trabalho de Sandberg era muito pouco… convencional.

“Em maio de 2014 começamos a conversar com David, o diretor, e a Laser Unicorns, empresa produtora,” explica o supervisor de VFX Cameron Scott. “Foi como qualquer outro projeto grande que pegamos – exceto pelo fato de que ele já tinha filmado tudo, o que não é o nosso ideal de trabalho! Mas cada trabalho é diferente, e cada trabalho, não importa quais sejam as expectativas, tem seus próprios desafios. Este foi apenas um outro desafio.”

Era uma nova experiência tanto para Scott quanto para Sandberg. A experiência de 15 anos de Scott na indústria inclui trabalho em comerciais, enquanto Sandberg dirige videoclipes. Originalmente pensado como um longa-metragem, a duração de “Kung Fury” poderia ser demais para ambos, mas felizmente Sandberg tinha um a boa ideia de como o filme deveria ser.

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“David sentou conosco e, ao todo, levou uns 2 dias, e depois mais 5 dias decupando cada cena, e dizendo quais elementos estariam lá, e que tipo de ambientes teríamos”, diz Scott. “Felizmente o filme é bem lógico na forma como foi pensado, então uma certa sequência aconteceria em um determinado ambiente, e a sequência seguinte seria em um outro ambiente. Foi bem mais fácil para nós planejarmos e dividirmos o filme em segmentos para que pudéssemos cortá-lo e planejá-lo desta forma.”

kufu_arcadebot_TA_v001.1007Durante o planejamento, foi decidido que cada cena teria que carregar o que foi a marca registrada do filme: o visual de um antigo VHS, completo com cores saturadas e defeitos de tracking que as crianças dos anos 80 sabiam esperar. Sandberg já tinha usado After Effects para criar a estética no trailer; para o filme, a Fido decidiu emular seu trabalho no Nuke. As barras de rolagem gravadas diretamente de um antigo videocassete foram outra boa ideia que apareceu na pós.

Para manter o filme no orçamento, Sandberg gravou a maior parte do filme em tela verde no seu escritório em Estocolmo. Apesar de a maior parte do filme já estar filmada, houve inevitavelmente a necessidade de mudanças e refilmagens – Scott acredita que 20% das cenas foram gravadas neste período, mas o filme se beneficiou das mudanças. E enquanto Sandberg tinha uma sólida ideia de como certas cenas iriam funcionar, em outras ele confiou na experiência e ideias da equipe da Fido.

“Ele tinha uma visão tão forte – ao final de tudo, nós realmente entendíamos a maneira como ele pensava, mas no começo foi ‘hum… Ok, a gente faz isso”, dis Scott. “Tinha algumas cenas onde alguém da equipe tinha uma ideia maluca que era hilária, e a gente passava pro David e ele falava ‘legal, vai ficar muito bom’. Era com a gente fazer a coisa toda ficar tão legal e cheia de destruição possível dentro daqueles parâmetros”.

E Kung Fury é praticamente recheado de destruição. Para Scott, uma sequência em particular leva o prêmio – uma cena de tracking de 2 minutos e meio na qual Kung Fury derrota hordas de soldados nazistas. Uma homenagem aos clássicos videogames beat’em up dos anos 80 e 90 (pense em “Streets of Rage e Street Fighter”, que mostra nosso herói derrotando seus adversários enquanto 100.000 soldados aparecem ao fundo.

“Aquilo foi incrivelmente complexo porque eram múltiplos takes de Kung Fury que tinham que ser costurados para formar uma tomada única”, explica Scott. “O soldado era um cara só, então tínhamos centenas de takes dele que também tinham que ser unidos e duplicados. E todos esses elementos foram rotoscopiados e colocados numa cena renderizada – ao todo, levou 48 horas para renderizar, e essa única cena levou 100 dias para produzir.”

Uma outra cena, onde o mentor de Kung Fury é cortado em dois (na vertical!) foi criada por um único artista na Fido. Para esta cena, foi criado um dublê digital para o pobre policial, completo com órgãos e uma língua, que foi composto com a filmagem real.

Screenshot 2015-07-17 at 09.31.31“Este é um ótimo exemplo de quando a gente simplesmente joga uma cena no colo de alguém e diz ‘faça isso ficar legal!’” diz Scott. “Normalmente nós temos uma pipeline de especialistas trabalhando nas cenas, mas neste caso, nossas ferramentas permitiram que um único profissional fosse capas de cortar um policial em dois de um jeito muito bacana!”.

Cenas como essa forçaram a pipeline do estúdio – que consiste em Maya, ZBrush, NUKE, Houdini e V-Ray – até o limite. Felizmente, a ferramenta ftrack produzida pela própria Fido e V-Ray ajudaram a planejar e executar as 400 cenas de efeitos. “Sem o V-Ray nós não teríamos conseguido gerenciar essa carga de trabalho,” diz Scott. “Havia tanta informação envolvida, e os sets digitais eram enormes. Rapidamente se tornou uma das fundações de nossa pipeline.”

kufu_eagle_TA_v001.1001“V-Ray já é ótimo desde o início, mas nossos  artistas realmente sabem como explorá-lo ao máximo de suas possibilidades,” adicionou Scott. “Especialmente nosso iluminador-líder, cujo trabalho na águia-robô ficou simplesmente fantástico. A parte boa é que não precisamos customizar o V-Ray, nós apenas exploramos o poder que ele já tem.”

Agora que “Kung Fury” está terminado, e já passou das 18 milhões de visualizações no YouTube, é voltar aos negócios de sempre para Scott e a Fido. Sandberg tem praticamente certa uma carreira em Hollywood à frente graças ao barulho causado online por seu curta. Scott, enquanto isso, acredita que a hype em torno de “Kung Fury” também pode trazer mais projetos para sua companhia.

“Isto é algo que nós realmente queremos explorar,” diz Scott. “Porque vai ser lançado apenas no YouTube não terá nenhum retorno financeiro, mas a propaganda gratuita que conseguimos com ele é incalculável.”

À toda, a Fido já está lotada com novos comerciais, uma série para TV e um jogo até o final do ano, com um potencial longa-metragem engatilhado. Mesmo com todo esse trabalho, eles adorariam trabalhar com Sandberg novamente.

“Eu realmente espero que possamos colaborar novamente em algo, porque vai ser ainda melhor na próxima vez,” diz Scott. “Ele é um cara muito legal e fez 9 meses de trabalho intenso bastante agradáveis o tempo todo.”

Tradução: Ricardo Eloy

Escrito por Rick Eloy

Arquiteto, marketeiro, profissional 3D e professor.

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